Há pessoas que vivem apenas das ideias das suas cabeças. Atravessam o mundo por elas. Resistem a todos os nãos. Mais cedo ou mais tarde brilham. Saber sofrer é saber vencer.

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19
Jan 10

 

        Era um dia como outro qualquer, nada fazia prever que fosse diferente do anterior e adivinhava-se igual ao que se lhe sucederia. Não fosse o estar aqui, sentado, nas duas pedras que formam esta ponte, com as pernas pendentes sobre o rio num esforço vão de tocar a água que por ele corre, e teria sido mais um dia banal. Mas a partir desse dia, todos os dias seriam diferentes, pois aquele local emanava uma energia que desconheço, como se me impelisse para um outro tempo, como se fosse vontade divina levar-me numa viagem pelas memórias deste lugar. Assim deixei-me embriagar pelos cheiros e pelas cores da natureza e embalar pela melodia das águas límpidas do rio Guisande, e com um breve serrar dos olhos deixo-me imaginar como seria este caminho á muitos anos atrás, quando era percorrido pelos nossos antepassados, que, ora debaixo do sol tórrido, ora em tempos de gélida névoa, mergulhavam as suas mãos nesta terra procurando colher o seu sustento. Tempos duros em que se partilhava a labuta com os animais. Juntas de bois que obedientemente puxavam arados e rasgavam os solos onde manualmente se ofereciam sementes á terra na esperança de que ela retribuísse com frutos o suor que sobre ela fora derramado. Mesmo no dia estipulado para descanso pelo Senhor, este caminho, chamado de Lamela, não carecia de movimentação, pois era o caminho mais próximo para a igreja, que lá no alto parece abençoar estas gentes. As pessoas que o percorrem, são as mesmas que por aqui trabalham durante os restantes dias da semana, só que nesse dia, apesar de não conseguirem apagar as rugas dos seus rostos nem a aspereza das suas mãos provocadas pelo rigor das suas vidas, surgem com as suas melhores vestes, trajes domingueiros, usados apenas em dias de ir á igreja ou em dias de festa, muitas vezes comprados a prestações ou á troca de trabalho. As senhoras exibem orgulhosamente ao pescoço os seus cordões de ouro e os brincos que vão rasgando as orelhas devido ao seu peso. Bens que para alem do seu valor material constituíam uma riqueza emocional pois iam passando de geração em geração. Neste dia reina no campo a tranquilidade, apenas alguns pássaros debicam a terra procurando algumas sementes que ficaram á superfície.
 
Este caminho que serpenteia por entre campos, e nos transporta por momentos de paz e tranquilidade, sob a sombra das ramadas, e delimitado por paredes de granito, permanece em terra batida até um troço invulgar, empedrado em granito, de uma forma muito pouco vista ou mesmo única neste concelho que nos conduz até uma pequena ponte sobre o rio Guisande, construída apenas com duas pedras. Para além da ponte, um pequeno trilho, com pedras que o tempo fez desabar, leva-nos até uma visão secular. O cruzeiro da Quinta. Este cruzeiro de características únicas foi construído em 1568 junto a uma estrada que serviria de ligação entre Vila do Conde e Braga. As poucas pedras que pavimentam esta estrada encontram-se polidas por séculos e séculos de carros de bois que as percorriam, com as suas rodas rangendo sob o esforço a que eram sujeitas nas suas longas viagens transportando bens para serem comercializados nas feiras da região. Ocasionalmente apareciam dobrando a curva, grupos de peregrinos que se deslocavam em peregrinação para S. Tiago de Compostela e que ao aproximarem-se do cruzeiro que lhes servia de farol, entoavam rezas e faziam vénias dando graças e pedindo forças para continuarem a sua caminhada. Este caminho de S. Tiago á muito tempo esquecido, atravessava a freguesia e seguia por Braga em direcção a S. Bento da porta Aberta e dali para S. Tiago de Compostela.
 
 

 

 
 

 
 
 
publicado por Paulo da Silva às 22:17

26
Out 09

 

 

 

publicado por Paulo da Silva às 21:36

02
Out 09
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"O Pacto de Gomes Pais e Ramiro Pais" é um documento escrito em galaico-português no séc. XII, em Santa Maria de Arnoso e que, segundo estudo do professor catedrático da Universidade de Santiago de Compostela, José António Souto Cabo, é o mais antigo escrito em português de que há conhecimento. «Trata-se da reprodução em escrito do acórdão de não agressão e ajuda recíproca a que chegaram dois irmãos fidalgos do Minho, provavelmente filhos de Paio Guterres da Silva (1129-1143) e aos quais as fontes documentais posteriores atribuíram os nomes de Gomes Pais da Silva e Ramiro Pais da Cunha», explica o professor catedrático José António Souto Cabo. «O titular do diploma, Gomes Pais, compromete-se a não intervir na "vila" que Ramiro Pais possuía em Santa Maria de Arnoso. Ao mesmo tempo ambos pactuam ajuda mútua num âmbito territorial que ia dessa vila até ao antigo julgado de Froião*, espaço, este último, em que provavelmente Gomes Pais concentrava o seu património».

Não seria nada de estranho, na época, entre parentes com propriedades contíguas, mas o documento que formaliza este acordo, conservado na Torre do Tombo, em Lisboa, apresenta uma característica invulgar: não está redigido em latim. José António Souto, professor de História da Língua na Universidade de Santiago de Compostela, acredita que se trata do mais antigo documento escrito em galaico-português até hoje identificado. Apesar de estar sem data, Souto Cabo encontrou uma forma de datá-lo como sendo anterior a 1175. A data foi determinada pelas indicações do texto em latim, do outro lado do pergaminho, um suporte para escrita feito de pele de carneiro. "Os escrivães preferiam sempre o lado da carne, porque pegava melhor a tinta. Do lado do pêlo, está um contrato em latim, de compra e venda, datado de 1175", conta Souto Cabo. Como o pacto tinha um prazo de validade de dois anos, o documento de compra e venda deveria ser posterior: "Era normal a reutilização do pergaminho depois da caducidade do outro lado. A reutilização era sistemática.” Além de utilizarem o suporte no verso, na época era comum apagarem os textos dos pergaminhos para reescreverem nele. Souto Cabo acredita que as características do pergaminho fizeram com que o texto em português do pacto entre irmãos não fosse perdido: "Esse pergaminho é muito fino e por isso não dá para apagar. No entanto, como é muito fino, isso confere ao pergaminho uma grande qualidade.” Segundo Souto Cabo, o facto de o notário ter escrito o pacto em português deve-se a que o texto não repetia o que os documentos habituais costumavam apresentar. Normalmente, os notários tinham modelos de documentos e apenas trocavam os dados, como os nomes de locais e de pessoas - o que era impossível com o pacto. Para ajudar a fixar a data do pergaminho, Souto Cabo encontrou em Braga documentos relativos aos irmãos Ramiro e Gomes, que ele acredita serem os mesmos do pacto, apesar de Pais ser um sobrenome muito comum na época. O pacto entre os irmãos Pais tinha sido depositado na Mitra de Braga - foi para a Torre do Tombo devido ao trabalho de Alexandre Herculano, que no século 19 percorreu as bibliotecas dos conventos portugueses recolhendo os documentos mais antigos e mais valiosos para o  arquivo nacional.
*Julgado de Froião que abarcava Paredes de Coura e a parte norte de Valença, na época Medieval.

 

publicado por Paulo da Silva às 22:02

01
Out 09

 
 
 

Foi fundada em 14 de Outubro de 1963, mas o início da sua história remonta ao século IXX, há aproximadamente duzentos anos, por ter sucedido às extintas Bandas de Música de S. Pedro de Oliveira (Braga) e Sezures (V. N. de Famalicão), freguesias vizinhas de Arnoso Santa Maria.

Pode dizer-se, por isso, que a Banda Marcial de Arnoso teve origem na vizinha paróquia de S. Pedro de Oliveira, concelho de Braga, provavelmente no início do século IXX, tendo como seu fundador o avô de Serafim Oliveira Cardoso.

Ainda existem naquele freguesia do concelho de Braga, as ruínas da antiga casa de ensaios, de dimensões muito reduzidas.

Com o desaparecimento de Serafim Cardoso e a ida de seu neto Manuel (que deveria suceder-lhe) para o Brasil, a Banda sofreu um interregno, acabando por ser reconstituída, algum tempo depois, com sede na freguesia de Sezures, tendo como maestro José Maria Martins de Sá, passando, por isso, a ser conhecida por "Banda do Zé Maria".

Volvidos cerca de trinta anos, um novo revés leva à extinção da Banda de Sezures e foi então que em 1963, devido à louvável iniciativa e acção dos Padres Avelino Barreiros, então pároco de Telhado e Joaquim Ferreira dos Santos, então pároco de Arnoso Santa Maria, sensibilizados pela grande paixão à música de Francisco Ferreira da Silva e de seu irmão Joaquim Marques da Silva, a Banda ressurge, agora com sede na freguesia de Arnoso Santa Maria, para "dar vida a toda uma história musical que chegava ao fim".

Foi ainda importante no ressurgimento da Banda Marcial de Arnoso a ajuda monetária do conhecido industrial famalicense, Comendador Manuel Gonçalves, o qual pagou integralmente a primeira farda.

Sediada na área de intervenção da ENGENHO - Associação para o Desenvolvimento Local do Vale do Este, a Banda Marcial de Arnoso é hoje uma dinâmica Associação Cultural de Arte e Recreio que com o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, do INATEL e dos seus associados participa e desenvolve uma intensa actividade cultural e recreativa.

Em parceria com o Centro de Cultura Musical, das Caldas da Saúde, e a Escola Profissional Artística do Vale do Ave - ARTAVE, de Vila Nova de Famalicão, promove a sublime arte da música, dando a oportunidade a muitas crianças e jovens de aprenderem e se prepararem, não apenas, para serem músicos da Banda de Arnoso, mas também para prosseguirem uma carreira artística, aliciante e enriquecedora.

A Banda de Arnoso tem ainda músicos a frequentar o Conservatório de Música de Braga e escolas superiores do país e do estrangeiro, orgulhando-se de por ela terem passado jovens que hoje são instrumentistas de reconhecido valor.
Sob a direcção do maestro Paulo Silva, a Banda Marcial de Arnoso é composta por elevado número de jovens. 81% dos seus executantes têm menos de 30 anos, dos quais 68% têm entre 8 e 21 anos; 13% têm idades compreendidas entre os 34 e os 50 anos; os restantes 6% têm idades entre os 53 e os 85 anos e merecem também um carinho muito especial porque são eles os grandes impulsionadores dos mais novos.

in http://www.bandasfilarmonicas.com/bandas.php?id=282

 

publicado por Paulo da Silva às 13:16

29
Set 09

  I have a dream, Tal como Martin Luther King, também tenho um sonho.

Sonho comigo em Arnoso Santa Maria daqui a alguns anos, em frente a um cruzeiro do Sec. XVI, que em tempos marcou um dos caminhos de S. Tiago de Compostela. Recentemente recuperaram um estreito atalho, muito bonito que ligava este cruzeiro, que é património nacional, ao lugar do outeiro, este atalho com um piso empedrado, que nos domingos encurtava o caminho dos habitantes do outeiro para irem á missa com os seus fatos domingueiros esteve durante anos esquecido, quase perdido entre a vegetação. Agora recuperado é percorrido por visitantes que procuram a tranquilidade da nossa terra. Em frente ao cruzeiro, existe, muito bem preservado um pedaço de troço de uma via que nascia em Vila do Conde e atravessava Arnoso até Braga. Da forma como este troço foi preservado podemos ter uma percepção da evolução dos tempos. Uma pequena via com pouco mais de 1,5 metros de largura, que em tempos idos era uma das mais importantes do concelho e que hoje podemos comparar com a larga auto-estrada que passa ao lado da freguesia. Deste local, e pelo simbolismo que tem, partem hoje peregrinos para S. Tiago de Compostela, são pessoas que insistem em manter viva a história e as tradições.
Deste lugar quase mágico temos um caminho que nos leva á Igreja da freguesia através de uma avenida com um largo passeio que dá segurança e tranquilidade aos peões e visitantes, Ésta igreja construída no sec XVII, dizem ser a mais bela do concelho, tem um interior maravilhoso, com um altar em talha dourada. Foi alvo de uma intervenção no exterior e dentro dos possíveis devolveram-lhe a sua traça original, estas obras antecipam as celebrações de mais do quarto centenário da sua construção. Ao lado da Igreja, onde outrora existia um passal, existe hoje um bar de um grupo de jovens, que muito inteligentemente o transformaram num bar museu, e onde homenageiam as actividades de cestaria e tecelagem, actividades que durante muitos anos ajudaram a alimentar as gentes desta terra. Lá podemos ver um antigo tear, algumas passadeiras e mantas, um banco onde os cesteiros preparavam a madeira e as ferramentas que utilizavam. Lá perto, na cave da casa paroquial, existe um museu onde podemos apreciar paramentos, livros antigos e objectos que a população doou em manifestações de fé. Como a hora do almoço se aproxima, acho que vou ficar mesmo por aqui, já que tem um óptimo parque de merendas e um parque infantil para entreter os miúdos.
Ao fim do almoço continuo a minha visita por esta terra. Passo pelo adro que também foi harmoniosamente recuperado. Mas continuemos a viagem que segue por um pequeno trilho que foi encalcetado e que dá acesso a uma fonte de água fresca. Um pequeno rego talhado na pedra conduz a agua a um tanque, que por sua vez a transborda para um tanque maior , tanque este onde outrora os cesteiros colocavam a madeira de molho antes de a prepararem para os seus cestos. Mais uma vez aqui se homenageiam os cesteiros. Até aqui se vê a nobreza do povo de Arnoso que honra os seus antepassados. Acho que vou parar um pouco por aqui, na sombra deste telhado que cobre o tanque. Este telhado não existia aqui. Foi colocado para substituir uma cobertura de cimento que aqui existia e que descaracterizava o local. Também não existe acesso a viaturas já que este local se destina apenas ao lazer dos habitantes e visitantes. A água que da bica jorra é pura, pelo menos é o que diz a placa da última análise que efectuaram. Depois de beber um pouco desta frescura e tranquilidade retomo a minha caminhada pois este estreito trilho que nos leva por uma escadaria com pequenos nichos que nos lembram as estações da morte de Cristo. Lá no alto está uma capela. É uma pequena capela dos anos 80 mas que tem belas pinturas no seu altar, mas o que verdadeiramente me traz aqui é a vista sobre o vale, aqui em cima sentimos que estamos no topo do mundo, e aqui acabo o dia a ver o por do sol., nesta linda terra de condes e onde se consta ter sido escrito o primeiro documento em português. De regresso vou pela calçada senhor dos passos, que por ser património municipal também merece uma visita. 
"O popule ab arnoso surge et ambula"
publicado por Paulo da Silva às 20:20
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