Há pessoas que vivem apenas das ideias das suas cabeças. Atravessam o mundo por elas. Resistem a todos os nãos. Mais cedo ou mais tarde brilham. Saber sofrer é saber vencer.

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26
Out 09

 

 

 

publicado por Paulo da Silva às 21:36

24
Out 09

 

 

 

A aventura começa pela manhã, não muito cedo, mas de forma a cumprirmos os nossos objectivos antes de anoitecer. De mochila às costas lançamos as nossas botas ao caminho, vamo-nos seguindo uns aos outros procurando o trilho assinalado pelas mariolas ou abrindo novos caminhos que umas vezes nos levam ao nosso destino e outras não nos levam a lado nenhum.

Ora perdidos por entre a vegetação ora trepando rochedos, vamos descobrindo a serra, biqueirando pedras soltas que sorrateiramente nos aguardam no caminho, num esforço vão de nos vedarem a passagem. Algumas silvas escondidas entre a urze tentam agarrar-nos as pernas, mas não vamos deixar que nos atrasem a jornada, até porque o dia avança com passos mais rápidos que os nossos.

Um pequeno ribeiro marca o ponto mais fundo do vale. Serpenteando por entre as pedras vai formando lagoas transparentes onde o terreno oferece resistência á sua passagem.

Contrariando o percurso do ribeiro, vamos subindo a serra, os garranos e as vacas que por ali pastam param a sua actividade e seguem-nos curiosamente com o seu olhar. Até uma pequena aranha vermelha que montou a sua armadilha junto ao chão estranha estes medonhos visitantes. Mas passemos alguns metros ao lado para não a perturbar, nem afugentar as suas possíveis presas. Retomado o caminho vamos respirando os cheiros da natureza, ali ao lado, um arbusto de azevinho tenta chamar-nos a atenção com os seus frutos vermelhos. Paramos para apreciar a paisagem e aproveitar para descansar um pouco já que as pernas vão acusando algum cansaço. Olhamos para cima e ganhamos ânimo pois o topo da serra é já ali. Inspiramos fundo, tão fundo quanto nos é possível, e continuamos a nossa escalada. Só que chegado ao ponto que julgávamos ser o topo, surge mais outra subida e finda esta, mais outra e outra, que parecem nunca ter mais fim.

Depois de um derradeiro esforço chegamos ao cume da serra. Extasiados pela paisagem que nos surge pela frente ficamos imóveis, instala-se o silêncio por breves momentos, contemplando o vale que a força da natureza construiu. As pernas param de reclamar pelo cansaço, as bolhas nos pés sabem-nos a troféus. Uma leve neblina esbarra-se nos nossos rostos transpirados provocando suaves arrepios como se um beijo da natureza se trata-se.

Aqui em cima o tempo pára, não se medem dias ou horas, apenas se contam estações. Aqui não existem problemas nem stress, não temos nomes e de nada valem as riquezas de barões e sultões. Aqui, sentimo-nos os senhores do mundo, temos o mundo debaixo dos nossos pés. Mas perante a grandeza desta natureza, somos tão importantes como o mais simples nada. Mas, é aqui que me sinto bem e quero cá voltar.

Lá no alto, o sol vai-nos avisando que está na hora de regressar. Começamos a descer a serra, com a alma mais leve, mas com os cuidados necessários para não deixarmos marcas da nossa passagem.

No regresso, cambaleantes mas com sorrisos na fronte, vamos planeando a próxima aventura, que se espera nos leve mais longe e mais alto, ou pelo menos por novos caminhos. Como se nos alimentássemos da vontade de ultrapassar os nossos limites.

Agora já vivemos um dia por semana.

Resta-nos aprender a viver os restantes.

 

publicado por Paulo da Silva às 22:10
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18
Out 09

publicado por Paulo da Silva às 10:18
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15
Out 09

publicado por Paulo da Silva às 13:07
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Out 09

publicado por Paulo da Silva às 19:32
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08
Out 09

publicado por Paulo da Silva às 23:37
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06
Out 09

 

 

Á poucos dias ouvi, de uma das pessoas com mais longevidade nesta terra que em tempos idos Arnoso Santa Maria gozava de algum progresso em relação ás freguesias vizinhas. Segundo as suas palavras, a população de Tebosa olhava o céu e via com alguma inveja os cabos que traziam a electricidade para Arnoso enquanto eles permaneciam na penumbra. Mas enfim, são tempos de glória que já lá vão. Parece que entretanto paramos no tempo a contemplar as lâmpadas, fascinados com a electricidade que nos entrava casa adentro e esquecemo-nos de continuar a evoluir. Esta distracção fez com que hoje levemos lições de progresso. Estamos neste momento a dar os primeiros passos em algumas infra-estruturas que eles já têm á anos. É como se estivéssemos a tentar chegar á Lua e eles a voltar de Marte.
Quis em 1960, um ilustre Arnosense deixar gravado no granito de um cruzeiro a expressão “O popule ab arnoso surge et ambula”. Esta expressão, que insiste em permanecer gravada através de gerações, e que traduzida do latim lembra quem por ali passa que “o povo de Arnoso distingue-se e evolui” no entanto esta expressão pouco reflecte aquilo que na realidade temos sido.
 Arnoso, “Vila” de Ramiro Pais e terra que deu nome ao título atribuído a um Conde, permanece verdejante, tranquila e parada no tempo. Os Nossos antepassados envergonham-se com que fizemos com o legado que nos deixaram.  É tempo de levantar os olhos e termos orgulho daquilo que somos. É bom vivermos numa terra tranquila mas não nos podemos esquecer que existem necessidades básicas que não podemos descurar e que são essenciais ao nosso bem-estar. Também somos guardiões de uma grande carga histórica, que temos obrigação de preservar e divulgar, para que os nossos descendentes sigam o nosso exemplo e não  apaguem deste mundo o rasto da nossa existência.
“O popule ab arnoso surge et ambula”
publicado por Paulo da Silva às 22:16
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02
Out 09
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"O Pacto de Gomes Pais e Ramiro Pais" é um documento escrito em galaico-português no séc. XII, em Santa Maria de Arnoso e que, segundo estudo do professor catedrático da Universidade de Santiago de Compostela, José António Souto Cabo, é o mais antigo escrito em português de que há conhecimento. «Trata-se da reprodução em escrito do acórdão de não agressão e ajuda recíproca a que chegaram dois irmãos fidalgos do Minho, provavelmente filhos de Paio Guterres da Silva (1129-1143) e aos quais as fontes documentais posteriores atribuíram os nomes de Gomes Pais da Silva e Ramiro Pais da Cunha», explica o professor catedrático José António Souto Cabo. «O titular do diploma, Gomes Pais, compromete-se a não intervir na "vila" que Ramiro Pais possuía em Santa Maria de Arnoso. Ao mesmo tempo ambos pactuam ajuda mútua num âmbito territorial que ia dessa vila até ao antigo julgado de Froião*, espaço, este último, em que provavelmente Gomes Pais concentrava o seu património».

Não seria nada de estranho, na época, entre parentes com propriedades contíguas, mas o documento que formaliza este acordo, conservado na Torre do Tombo, em Lisboa, apresenta uma característica invulgar: não está redigido em latim. José António Souto, professor de História da Língua na Universidade de Santiago de Compostela, acredita que se trata do mais antigo documento escrito em galaico-português até hoje identificado. Apesar de estar sem data, Souto Cabo encontrou uma forma de datá-lo como sendo anterior a 1175. A data foi determinada pelas indicações do texto em latim, do outro lado do pergaminho, um suporte para escrita feito de pele de carneiro. "Os escrivães preferiam sempre o lado da carne, porque pegava melhor a tinta. Do lado do pêlo, está um contrato em latim, de compra e venda, datado de 1175", conta Souto Cabo. Como o pacto tinha um prazo de validade de dois anos, o documento de compra e venda deveria ser posterior: "Era normal a reutilização do pergaminho depois da caducidade do outro lado. A reutilização era sistemática.” Além de utilizarem o suporte no verso, na época era comum apagarem os textos dos pergaminhos para reescreverem nele. Souto Cabo acredita que as características do pergaminho fizeram com que o texto em português do pacto entre irmãos não fosse perdido: "Esse pergaminho é muito fino e por isso não dá para apagar. No entanto, como é muito fino, isso confere ao pergaminho uma grande qualidade.” Segundo Souto Cabo, o facto de o notário ter escrito o pacto em português deve-se a que o texto não repetia o que os documentos habituais costumavam apresentar. Normalmente, os notários tinham modelos de documentos e apenas trocavam os dados, como os nomes de locais e de pessoas - o que era impossível com o pacto. Para ajudar a fixar a data do pergaminho, Souto Cabo encontrou em Braga documentos relativos aos irmãos Ramiro e Gomes, que ele acredita serem os mesmos do pacto, apesar de Pais ser um sobrenome muito comum na época. O pacto entre os irmãos Pais tinha sido depositado na Mitra de Braga - foi para a Torre do Tombo devido ao trabalho de Alexandre Herculano, que no século 19 percorreu as bibliotecas dos conventos portugueses recolhendo os documentos mais antigos e mais valiosos para o  arquivo nacional.
*Julgado de Froião que abarcava Paredes de Coura e a parte norte de Valença, na época Medieval.

 

publicado por Paulo da Silva às 22:02

01
Out 09

 

publicado por Paulo da Silva às 21:51
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Foi fundada em 14 de Outubro de 1963, mas o início da sua história remonta ao século IXX, há aproximadamente duzentos anos, por ter sucedido às extintas Bandas de Música de S. Pedro de Oliveira (Braga) e Sezures (V. N. de Famalicão), freguesias vizinhas de Arnoso Santa Maria.

Pode dizer-se, por isso, que a Banda Marcial de Arnoso teve origem na vizinha paróquia de S. Pedro de Oliveira, concelho de Braga, provavelmente no início do século IXX, tendo como seu fundador o avô de Serafim Oliveira Cardoso.

Ainda existem naquele freguesia do concelho de Braga, as ruínas da antiga casa de ensaios, de dimensões muito reduzidas.

Com o desaparecimento de Serafim Cardoso e a ida de seu neto Manuel (que deveria suceder-lhe) para o Brasil, a Banda sofreu um interregno, acabando por ser reconstituída, algum tempo depois, com sede na freguesia de Sezures, tendo como maestro José Maria Martins de Sá, passando, por isso, a ser conhecida por "Banda do Zé Maria".

Volvidos cerca de trinta anos, um novo revés leva à extinção da Banda de Sezures e foi então que em 1963, devido à louvável iniciativa e acção dos Padres Avelino Barreiros, então pároco de Telhado e Joaquim Ferreira dos Santos, então pároco de Arnoso Santa Maria, sensibilizados pela grande paixão à música de Francisco Ferreira da Silva e de seu irmão Joaquim Marques da Silva, a Banda ressurge, agora com sede na freguesia de Arnoso Santa Maria, para "dar vida a toda uma história musical que chegava ao fim".

Foi ainda importante no ressurgimento da Banda Marcial de Arnoso a ajuda monetária do conhecido industrial famalicense, Comendador Manuel Gonçalves, o qual pagou integralmente a primeira farda.

Sediada na área de intervenção da ENGENHO - Associação para o Desenvolvimento Local do Vale do Este, a Banda Marcial de Arnoso é hoje uma dinâmica Associação Cultural de Arte e Recreio que com o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, do INATEL e dos seus associados participa e desenvolve uma intensa actividade cultural e recreativa.

Em parceria com o Centro de Cultura Musical, das Caldas da Saúde, e a Escola Profissional Artística do Vale do Ave - ARTAVE, de Vila Nova de Famalicão, promove a sublime arte da música, dando a oportunidade a muitas crianças e jovens de aprenderem e se prepararem, não apenas, para serem músicos da Banda de Arnoso, mas também para prosseguirem uma carreira artística, aliciante e enriquecedora.

A Banda de Arnoso tem ainda músicos a frequentar o Conservatório de Música de Braga e escolas superiores do país e do estrangeiro, orgulhando-se de por ela terem passado jovens que hoje são instrumentistas de reconhecido valor.
Sob a direcção do maestro Paulo Silva, a Banda Marcial de Arnoso é composta por elevado número de jovens. 81% dos seus executantes têm menos de 30 anos, dos quais 68% têm entre 8 e 21 anos; 13% têm idades compreendidas entre os 34 e os 50 anos; os restantes 6% têm idades entre os 53 e os 85 anos e merecem também um carinho muito especial porque são eles os grandes impulsionadores dos mais novos.

in http://www.bandasfilarmonicas.com/bandas.php?id=282

 

publicado por Paulo da Silva às 13:16

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