Há pessoas que vivem apenas das ideias das suas cabeças. Atravessam o mundo por elas. Resistem a todos os nãos. Mais cedo ou mais tarde brilham. Saber sofrer é saber vencer.

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28
Set 10
A manhã do segundo dia começou bem cedo, não sei a que horas mas o burburinho dos restantes montanheiros não me deixou recuperar das poucas horas que dormi. Também não dava para mais, não tardava o pequeno-almoço estava a ser servido. Empanturrei-me com tudo o que pude pois o dia exigia muita energia.
 Preparamos as mochilas e apressadamente tiramos a foto do grupo enquanto os “noestros hermanos” mostravam alguma impaciência pelo nosso atraso. Finalmente colocamos as botas no caminho, ou melhor no trilho que nos levava a Las Colladinas. Por diversas vezes paramos para lançar um último olhar em jeito de despedida sobre o refúgio que nos acolhera na noite anterior. Atravessamos o Hoyo de Los Llagus em direcção a Hoyos Sengros. Neste local vislumbramos um reflexo ao longe. Este reflexo era emitido pela mítica Cabaña Veronica.
 
 Atrás de nós ficava a Torre Blanca e a Torre Sin Nombre também tivemos um primeiro vislumbre do Picu Urriellu. Contornamos o Tesorero, que divide três províncias Espanholas e ficamos de frente com a Torre dos Horcados Rojos que seria um dos objectivos do dia seguinte e detivemo-nos por breves momentos a vislumbrar o Hoyo Sin Tierra que permitia a nossa visão até ao horizonte. Continuamos pelo Hou Los Boches e seguimos pelo Hou sin Tierre por entre descidas vertiginosas e subidas que nos pareciam impossíveis de ultrapassar, mas sempre, sempre sobre cascalho.
 
Ao descer para o Hou Cerréu estas pedras soltas insistiram em nos acompanhar, rebolando á nossa frente sempre que pousávamos um pé, pondo e perigo quem nos antecedia. Numa das encostas, imponente, La Torre Cerreu, o ponto mais alto dos Picos da Europa. O Hou Negro ladeado pelas imponentes Torre Cerréu e Picu Los Cabrones impressionou-me. É quase um anfiteatro natural, com uma acústica que fazia ecoar as nossas palavras mais baixas. Passado este local já víamos o nosso ponto de destino lá bem lonje, lá bem no fundo. O Refugio de Los Cabrones. Atravessamos o vale que dá nome ao refúgio e terminamos o dia com uma majestosa sopa seguida por um prato de, claro está, massa mas desta vez lasanha. Terminado o jantar o guarda do refugio murmura qualquer coisa á mesa que não percebi. Não pelo tom de voz empregue mas porque não percebo muitas palavras em Espanhol. A mensagem que transmitiu aconselhava a subir a encosta para ver o por do sol que pelos vistos seria muito bonito daquele local. Sem hesitar levantei-me e não conseguindo arranjar companheiros para subir mais uma encostazinha fiz-me ao caminho. Mas depressa me apercebi que afinal não seria assim tão fácil. Mais uma cascalheira a subir, de barriga cheia e de socas. Mas afinal vim de tão longe e tinha que aproveitar todos os momentos. Chegado ao topo procurei uma pedra onde me pudesse sentar confortavelmente e desfrutar do acontecimento que iria ocorrer de seguida.
 
Mantive-me no local por longos momentos, extasiado e abstraído do mundo. Éra apenas eu, a serra e aquele por do Sol. Mas regressemos á terra pois está a escurecer rapidamente e eu com toda a excitação esqueci-me de trazer o frontal. Desço a encosta em direcção ás luzes que saem pelas janelas do refugio e que me servem de farol no caminho que tenho que seguir. O refúgio Jou de Los Caberones tem condições muito semelhantes ao anterior, mas já tem casa de banho. Se pudermos chamar casa de banho a um anexo desviado algumas dezenas de metros apenas com uma sanita e aonde só temos acesso por um trilho que vai contornando rochas e de acesso bastante difícil á noite. A sala de jantar está revestida a madeira, o que lhe confere um ar mais acolhedor. Ao lado um anexo serve de quarto de dormir com camas dispostas em dois níveis que mais se assemelham com uma barra de batatas do que com um dormitório. A partir da sala sobem-se umas escadas que dão acesso á cozinha e aos aposentos dos anfitriões.
 
A lotação do refúgio é muito limitada pelo que teremos que dormir na sala. Num gesto visivelmente muitas vezes repetido, arrastam-se as mesas para junto das paredes, colocam-se colchões por baixo e por cima destas e será aqui que passaremos a noite, uns com a cabeça debaixo da mesa olhando para o fundo do tampo e outros imediatamente por cima tentando não se mexer muito para não caírem abaixo. Mas ainda antes de dormir é tempo de dar uma espreitadela ao céu para ver como estaria o tempo no dia seguinte. Para nosso deleite o céu apresentasse-nos cheio de pequenas luzes cintilantes como que a saudar-nos. Ao centro como se de um engarrafamento na auto-estrada se trata-se podemos ver a via láctea com milhões de estrelas, umas maiores, outras mais pequenas. Ao fixarmos o olhar no infinito sentimo-nos a viajar por este quadro mágico. Perdemos a noção de tempo e tornamo-nos parte do espaço. Uma estrela cadente desperta-nos deste panorama e lembra-nos que devemos ir para a cama.
 
Continua...
publicado por Paulo da Silva às 20:44

(mais uma vez) EXCELENTE relato. parabéns!!

ficamos a aguardar pelos próximos ;)
medronho a 29 de Setembro de 2010 às 09:29

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