Há pessoas que vivem apenas das ideias das suas cabeças. Atravessam o mundo por elas. Resistem a todos os nãos. Mais cedo ou mais tarde brilham. Saber sofrer é saber vencer.

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Jan 10

 

        Era um dia como outro qualquer, nada fazia prever que fosse diferente do anterior e adivinhava-se igual ao que se lhe sucederia. Não fosse o estar aqui, sentado, nas duas pedras que formam esta ponte, com as pernas pendentes sobre o rio num esforço vão de tocar a água que por ele corre, e teria sido mais um dia banal. Mas a partir desse dia, todos os dias seriam diferentes, pois aquele local emanava uma energia que desconheço, como se me impelisse para um outro tempo, como se fosse vontade divina levar-me numa viagem pelas memórias deste lugar. Assim deixei-me embriagar pelos cheiros e pelas cores da natureza e embalar pela melodia das águas límpidas do rio Guisande, e com um breve serrar dos olhos deixo-me imaginar como seria este caminho á muitos anos atrás, quando era percorrido pelos nossos antepassados, que, ora debaixo do sol tórrido, ora em tempos de gélida névoa, mergulhavam as suas mãos nesta terra procurando colher o seu sustento. Tempos duros em que se partilhava a labuta com os animais. Juntas de bois que obedientemente puxavam arados e rasgavam os solos onde manualmente se ofereciam sementes á terra na esperança de que ela retribuísse com frutos o suor que sobre ela fora derramado. Mesmo no dia estipulado para descanso pelo Senhor, este caminho, chamado de Lamela, não carecia de movimentação, pois era o caminho mais próximo para a igreja, que lá no alto parece abençoar estas gentes. As pessoas que o percorrem, são as mesmas que por aqui trabalham durante os restantes dias da semana, só que nesse dia, apesar de não conseguirem apagar as rugas dos seus rostos nem a aspereza das suas mãos provocadas pelo rigor das suas vidas, surgem com as suas melhores vestes, trajes domingueiros, usados apenas em dias de ir á igreja ou em dias de festa, muitas vezes comprados a prestações ou á troca de trabalho. As senhoras exibem orgulhosamente ao pescoço os seus cordões de ouro e os brincos que vão rasgando as orelhas devido ao seu peso. Bens que para alem do seu valor material constituíam uma riqueza emocional pois iam passando de geração em geração. Neste dia reina no campo a tranquilidade, apenas alguns pássaros debicam a terra procurando algumas sementes que ficaram á superfície.
 
Este caminho que serpenteia por entre campos, e nos transporta por momentos de paz e tranquilidade, sob a sombra das ramadas, e delimitado por paredes de granito, permanece em terra batida até um troço invulgar, empedrado em granito, de uma forma muito pouco vista ou mesmo única neste concelho que nos conduz até uma pequena ponte sobre o rio Guisande, construída apenas com duas pedras. Para além da ponte, um pequeno trilho, com pedras que o tempo fez desabar, leva-nos até uma visão secular. O cruzeiro da Quinta. Este cruzeiro de características únicas foi construído em 1568 junto a uma estrada que serviria de ligação entre Vila do Conde e Braga. As poucas pedras que pavimentam esta estrada encontram-se polidas por séculos e séculos de carros de bois que as percorriam, com as suas rodas rangendo sob o esforço a que eram sujeitas nas suas longas viagens transportando bens para serem comercializados nas feiras da região. Ocasionalmente apareciam dobrando a curva, grupos de peregrinos que se deslocavam em peregrinação para S. Tiago de Compostela e que ao aproximarem-se do cruzeiro que lhes servia de farol, entoavam rezas e faziam vénias dando graças e pedindo forças para continuarem a sua caminhada. Este caminho de S. Tiago á muito tempo esquecido, atravessava a freguesia e seguia por Braga em direcção a S. Bento da porta Aberta e dali para S. Tiago de Compostela.
 
 

 

 
 

 
 
 
publicado por Paulo da Silva às 22:17

Caro amigo o "nosso rio"tem nome próprio," Guisando" é com muito gosto que o afirmo, pois provavelmente sou o seu maior admirador.


comprimentos.
Anónimo a 20 de Janeiro de 2010 às 21:11

Caro amigo, antes de mais obrigado pelo comentário, mas após alguma pesquisa confirmo que o nome do rio é efectivamente Guisande . Este nome deve-se ao facto nascer na freguesia com o mesmo nome. Poderá comprovar nas cartas militares do Instituto Geográfico do Exercito e também na Wikipedia onde consta "Aqui nasce o Rio Guisande , pequeno afluente do rio Este"

Paulo da Silva a 20 de Janeiro de 2010 às 21:58

http://glossariotoponimiagpb.blogspot.com/2007/05/rincadeiro-rio-aguapey-br.html
Via: A3, Km 38.7
Distrito: Braga
Tipo de situašŃo: raio de curvatura ou inclinašŃo da via desajustados
Gravidade:
Data de registo: 16 de Janeiro 2003
Comentßrio: Apesar da sinalizašŃo, poucos respeitam o limite de velocidade mßxima nesta longa curva sobre o vale do rio Guisando, sujeita a ventos laterais que agravam a mß aderŕncia com piso molhado. (contribuÝdo por revista AutoFoco)
Anónimo a 21 de Janeiro de 2010 às 02:04

Boas, mesmo assim as informações de sites oficiais e cartas militares dão-me mais segurança e credibilidade que blogs.
Tenho uma cópia de um documento de 1520 onde já aparece a referencia como rio guisande.
Paulo da Silva a 21 de Janeiro de 2010 às 13:54

Boa noite.
os argumentos são sempre variados, cada cabeça sua sentença,no entanto eu nasci e cresci junto a este rio, sempre ouvi todos à minha volta a chamarem" guisando" as licenças de pesca, tiradas nas antigas hidraulicas referiam" guisando" nunca vi nenhuma mas segundo afirmavam os meus antepassados para se utilizar as levadas tambem eram precisas licenças, estas só eram validas até meados de junho, a partir dí os moleiros e serradores podiam destruir levadas e amcoradouros que ainda estivessem hativos,decomentos de confrontação de terrenos ou propriédades hisistem nas duas vertentes, logo não será nunca uma prova de identidade, no entanto milhares de portugueses lêm diáriamente guisando e nunca ninguem contestou,(placas desde sempre colucadas na (A3) .será que estes tipoa andam a drmir?
Alem disso os mapas militares nunca podem ser considerados como prova porque eu também descobri um e não é assim tão legivel qual o nome.
outra situação que se pode ainda incutir nesta historia é a seguinte o Minho, Homem,Zezere o Vouga e o Mira, mais dois ou três afluentes do douro junto ao Miranda do Douro, mudaram de nome ao longo dos anos, portanto um mapa tão antigo será sempre uma prova irreal.
há ainda outra situação o lugar onde eu nasci não era chamado de Quintela como hoje mas antes funde vila, onde caso não saiba hisiste um calcada bem antiga, sem que eu conheça por aqui alguma equivalente e dados da sua construção premitiva não existem em lado algum.
portanto meu caro ,para mim o rio será sempre o" guisando" nem que seja por uso capião.
Anónimo a 22 de Janeiro de 2010 às 00:32

Boas! Ora aqui temos o que se chama "pano para mangas".
Tambem eu sou "filho" das margens deste rio, que sempre ouvi ser chamado de Guisande .
Deixo um link onde poderá ver uma carta militar legível
http://www.igeoe.pt/

É possivel que ao longo dos tempos o nome possa ter sido alterado, mas afinal qual será o nome correcto? Sabemos que as pessoas mais antigas tem um vocabolário em que algumas palavras são pronunciadas de uma forma incorrecta.
Será este um desses casos?
Paulo da Silva a 22 de Janeiro de 2010 às 19:02

Bom trabalho.
Albano Nascimento a 15 de Junho de 2010 às 16:08

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