Há pessoas que vivem apenas das ideias das suas cabeças. Atravessam o mundo por elas. Resistem a todos os nãos. Mais cedo ou mais tarde brilham. Saber sofrer é saber vencer.

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Out 09

 

 

Á poucos dias ouvi, de uma das pessoas com mais longevidade nesta terra que em tempos idos Arnoso Santa Maria gozava de algum progresso em relação ás freguesias vizinhas. Segundo as suas palavras, a população de Tebosa olhava o céu e via com alguma inveja os cabos que traziam a electricidade para Arnoso enquanto eles permaneciam na penumbra. Mas enfim, são tempos de glória que já lá vão. Parece que entretanto paramos no tempo a contemplar as lâmpadas, fascinados com a electricidade que nos entrava casa adentro e esquecemo-nos de continuar a evoluir. Esta distracção fez com que hoje levemos lições de progresso. Estamos neste momento a dar os primeiros passos em algumas infra-estruturas que eles já têm á anos. É como se estivéssemos a tentar chegar á Lua e eles a voltar de Marte.
Quis em 1960, um ilustre Arnosense deixar gravado no granito de um cruzeiro a expressão “O popule ab arnoso surge et ambula”. Esta expressão, que insiste em permanecer gravada através de gerações, e que traduzida do latim lembra quem por ali passa que “o povo de Arnoso distingue-se e evolui” no entanto esta expressão pouco reflecte aquilo que na realidade temos sido.
 Arnoso, “Vila” de Ramiro Pais e terra que deu nome ao título atribuído a um Conde, permanece verdejante, tranquila e parada no tempo. Os Nossos antepassados envergonham-se com que fizemos com o legado que nos deixaram.  É tempo de levantar os olhos e termos orgulho daquilo que somos. É bom vivermos numa terra tranquila mas não nos podemos esquecer que existem necessidades básicas que não podemos descurar e que são essenciais ao nosso bem-estar. Também somos guardiões de uma grande carga histórica, que temos obrigação de preservar e divulgar, para que os nossos descendentes sigam o nosso exemplo e não  apaguem deste mundo o rasto da nossa existência.
“O popule ab arnoso surge et ambula”
publicado por Paulo da Silva às 22:16
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1.º Conde de Arnoso – “O Conde da Lápide”
16/03/2007 (375 leituras)

Bernardo Pinheiro Correia de Melo, que nasceu em Guimarães a 27 de Maio de 1855 e morreu no solar de Pindela (Concelho de Vila Nova de Famalicão) a 21 de Maio de 1911, filho secundogénito do segundo casamento do 1º Visconde de Pindela.

Fidalgo da Casa Real, fez o curso liceal com distinção e seguiu a carreira militar como oficial de Engenharia, onde atingiu o posto de General.

Foi oficial às ordens do Rei D. Luís e, depois, secretário particular de D. Carlos, de quem foi amigo dedicadíssimo. Homem de finíssimo trato, tendo aprendido o culto das belas-artes no convívio paterno, dedicou alguns dos seus ócios à literatura, tendo publicado vários trabalhos. Era amigo de Eça de Queirós.
A sua intimidade com D. Carlos ajudou que as suas tendências para as manifestações do espírito se desenvolvessem, e amigo fidelíssimo do Rei, foi o seu companheiro dedicado durante todo o reinado.
Acompanhou D. Carlos nas suas viagens a Inglaterra, em Janeiro de 1901, quando dos funerais da Rainha Vitória, e na visita à Madeira e Açores. Fez parte da comitiva do Príncipe D. Luís Filipe nas festas da coroação de Eduardo VII.

Sofreu rudíssimo golpe ao ver o monarca assassinado com seu filho, o Príncipe Herdeiro. Tendo assento na Câmara dos Pares, a sua voz ergueu-se insistentemente pedindo que não se detivessem as investigações acerca do regicídio. Parecia um eco aquela dedicação que os jornais republicanos fustigavam, sobretudo depois do deu requerimento para ser colocado um padrão na arcada do Terreiro do Paço, fronteiro ao local do regicídio. Alcunharam-no de “Conde da Lápide”. O seu sofrimento era visível a todos os olhares; cortara relações com toda a gente que de perto ou de longe, tivesse combatido o Rei. Não sossegava e, não podendo vingar a morte do que fora o seu grande amigo, caiu no máximo desespero, que não o largou até à morte. O seu nome ficou na sociedade portuguesa como um exemplo de carácter, de fidelidade, de reconhecimento e de afecto.

***
Em 2006, por iniciativa da Real Associação de Lisboa, em memória do Senhor Conde de Arnoso, foi inaugurada no 1º de Fevereiro, passados 98 anos do Regicídio, a tão desejada lápide para lembrar aos Portugueses que naquele local, morreram um Grande Rei e um Promissor Príncipe Herdeiro. O facto, deve-se à insistência e ao trabalho dedicado da Comissão presidida pelo Dr. Ricardo de Abranches, que após autorização da Câmara Municipal de Lisboa, meteu mãos à obra e nesse fim de tarde do dia 1 de Fevereiro, foi finalmente inaugurada a tão desejada lápide. O Dr. Ricardo Abranches referiu na altura da inauguração da lápide, a memória do Conde de Arnoso, e referiu como um “grande Português, patriota e fiel a Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Carlos I de Portugal”.
in somosportugueses.com
Cristovao Rodrigues a 22 de Outubro de 2009 às 13:42

Caro Paulo,

Sei que passaram alguns anos desde esta publicação, no entanto, e porque só agora vi este texto, não poderia deixar de manifestar o meu contentamento por ver viva uma memória de um ilustre Arnosense - Dr. Alcino Pinto. No entanto devo acrescentar, os seus motivos eram bem no sentido daqui-lo que refere no texto "O popule ab arnoso surge et ambula" - "Arnoso levanta-te de caminha". O texto de conformismo é reflexo dessa vontade de progresso e desejo do bem coletivo. Certamente o meu avo teria aprovado.
Coragem aí por Arnoso, somos muitos fora da Terra mas não a esquecemos. Estamos convosco.
Miguil Pinto e Campos a 4 de Maio de 2014 às 19:10

Boas! Muito me apraz esta correcção de uma expressão da qual não sabia o sentido correto e ao qual arrisquei "traduzir". Infelizmente nos dias de hoje esse sentimento de vontade de progresso e bem colectivo parece ter-se desvanecido. Seria muito util divulgar e perpetuar na historia da freguesia a memoria do Dr. Alcino Pinto e outros bem feitores que em tempos construíram os alicerces de um futuro que não conseguimos concretizar , mas são memorias que vão desaparecendo com os mais velhos. Um abraço, Paulo Sérgio Silva

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